O crepitar das folhas secas sob os passos das testemunhas marcava o início de um jogo perigoso de cartas marcadas, no qual cada depoimento, cada documento perdido, cada linha de investigação policial desprezada era uma peça do quebra-cabeça de uma tragédia anunciada.
Assim transcorreu o Inquérito Policial 186/2009 que fundamentou a teratológica denúncia feita pelo MP, eivada de interesses obscuros, comandado inicialmente, conforme já informado, pelo delegado Renato Fernandes e, posteriormente, pelo delegado regional Evy Paternostro.

O delegado Evy Paternostro, filho de tradicional família de Itabuna, foi quem comandou o inquérito sobre o caso dos professores.
Era uma investigação que deveria, mais do que nunca, buscar a verdade, mas rapidamente se mostrou um espetáculo de distorções e manipulações a olhos vistos. Para os que desejam desvendar os bastidores deste circo macabro, onde a inocência foi transformada em culpa pela conveniência, é fundamental prestar atenção aos vários detalhes e as muitas contradições que emergem do trabalho policial e ministerial, bem como dos depoimentos colhidos.
O leitor logo perceberá: as peças simplesmente não se encaixam, e o teatro de horrores montado ou no mínimo avalizado pela Polícia e o Ministério Público está prestes a desmoronar. Aqui, a história não é para amadores. Se você busca apenas o conforto das redes sociais ou os argumentos rasos este Blog não é para você. As informações sobre o caso dos professores são bastante sérias, um pouco longas e exigem coragem para encarar as evidências que a máquina judicial fez questão de esquecer e enterrar.

Desde o inicío das investigações, o jornal Topa Tudo passou a contestar as acusações feitas pela Polícia e pelo MP.
Contud, não é o nosso desejo, ao menos aqui no Blog, adentrar pelas discussões técnicas e jurídicas que envolveram as investigações policiais, a denúncia e o processo criminal em si. Longe disso.
A uma, que não sou advogado criminalista, a duas, que todos os recursos jurídicos possíveis, a fim de derrubar o emaranhado de acusações distorcidas por nossas autoridades, que constam dos autos, já foram defendidos ardorosamente e com muita competência por advogados criminalistas altamente tarimbados, tais como o escritório do Dr. Maurício Vasconcelos, de Salvador, um dos mais renomados da Bahia, e que junto com os advogados Cesar Oliveira, Rubens Freiberger e o professor Igor Assunção, casualmente meu ex-professor de Direito Criminal e atualmente promotor de justiça em Belmonte, usaram de todos os seus conhecimentos e recursos técnicos e jurídicos possíveis a fim de trancar a ação penal e anular as “provas”, evitando, consequentemente, que os réus, de maneira injusta e manipulada, fossem obrigados a enfrentar um possível júri popular.
O promotor Dioneles
Seria leviano da nossa parte deixar de reconhecer e ignorar a competência técnica do promotor Dioneles Santana, principal agente, junto com seu colega João Alves, no nosso modesto entendimento, do maior escândalo a que se tem notícia no MP baiano. Ele não só dominou as técnicas jurídicas com muita habilidade, como fez valer sua eloquência perante os tribunais. Sua escrita, quase que impecável, alinhada ao seu grande conhecimento jurídico, convenceu as instâncias superiores a manter o julgamento em um tribunal do povo. Pena que o MP não usou toda a sua inteligência e capacidade para fazer o que era o justo e o certo. Acredito que ainda dá tempo.
Para quem não o conhece, o promotor Dioneles - de João Alves sei muito pouco - é um legítimo vencedor na carreira jurídica. Segundo informações, ele veio de uma família relativamente pobre e se formou em Itabuna ainda no ano de 1998, casualmente na mesma turma dos delegados Evy e Moisés Damasceno, e sua aprovação no concurso do Ministério Público certamente foi resultado de muito esforço, disciplina e total dedicação aos estudos.

O Promotor Dioneles se formou em 1998, se revelando um dos mais brilhantes alunos da faculdade de Itabuna, sendo aprovado para o cargo de promotor
Mas, como bem se sabe na atividade judicial, até os mais brilhantes juristas, quando cegados por interesses ou pelo clamor popular, podem moldar verdades sob medidas. Tudo depende da narrativa empregada e da sua recepção por parte da opinião pública e da opinião publicada. No caso dos professores, em que 99% da população acreditava que Abade, Edésio e os policiais estavam envolvidos, foi fácil demais para os promotores acusar e asssegurar a narrativa.
Os desembargadores, por sua vez, como também era de se esperar, preferiram não deixar suas digitais. Em um país onde a prática é proteger o sistema ao invés de buscar a justiça, os tribunais superiores ignoraram as falhas gritantes da acusação. Preferiram confirmar a pronúncia e mandar os acusados ao julgamento popular, como se o peso da opinião pública e da opinião publicada fosse mais importante que o direito fundamental, o direito ao contraditório e até a presunção de inocência. o que é básico no Direito Penal.
O princípio, já bastante ultrapassado e atualmente revisto pelo STF, usado pelo juiz em fase de pronúncia, segundo o qual “in dubio pro societate” – ou seja, na dúvida, que a sociedade julgue o acusado - foi o argumento usado pelo MP, e inacreditavelmente aceito pelo Dr. Roberto, para soterrar o direito fundamental da presunção de inocência, previsto como garantia constitucional a todos os acusados , segundo o qual , na dúvida e na falta de indícios suficientes de autoria, ele deveria ter aplicado o princípio do “in dubio pro reo”, que nada mais significa do que dizer que, na dúvida, deveria ter prevalecido a presunção de inocência em favor dos réus. Infelizmente não foi o que aconteceu, vez que o direito traz entendimentos e jurisprudências diversas capazes de justificar praticamente qualquer decisão. Tanto as decisões certas como as erradas.
Críticas aos atos processuais
Necessário também esclarecer que não existe a intenção, da nossa parte, jamais, de ofender e atacar as instituições ou a honra pessoal daqueles que avalizaram esse verdadeiro desserviço à sociedade e injustiça aos acusados. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como diria o ex-ministro de Itamar Franco, Walter Barelli, sintetizando um axioma da lógica popular que expressa que as pessoas podem ter diferentes perspectivas sobre a mesma situação.
Mas é preciso, sim, convenhamos, mostrar o que aconteceu e o que foi feito neste caso dos professores, como as coisas realmente se deram, como a Polícia e o MP desvirtuaram depoimentos, chegando ao ponto de alterar substancialmente e talvez intencionalmente vários deles, acrescentando, segundo alguns relatos, informações por conta própria em depoimentos, criando uma versão fictícia sobre as mortes de Álvaro e Elisney, bem como as de Pequeno e Rodrigo Terceiro, e como um juiz de direito com 10 anos de magistratura à época, do naipe e da indiscutível capacidade jurídica e moral de um Roberto Costa Freitas Jr., sujeito do bem, mas possivelmente estressado e confuso, se deixou convencer e se levar tão facilmente por tão sórdidas mentiras e manipulação.
Aliança com o crime
O escândalo vai muito além da troca de delegados e da insistência em manter a fantasiosa narrativa do MP. Depoimentos foram inequivocadamente e supostamente deturpados, informações foram plantadas, e acordos escusos foram fechados com dois homicidas e traficantes confessos — Marcelo Caô e João d’Ajuda. A promessa, presume-se, era simples: liberdade em troca de versões convenientes.
O delegado Renato Fernandes nos afirmou categoricamente, através de e-mail remetido à redação do Jornal Topa Tudo, na data de 19/07/2010, cuja autenticidade nos foi assegurada pessoalmente por ele poucos dias depois – e agora confirmadas em vídeo logo abaixo - que os dois marginais, que foram protegidos e considerados como testemunhas confiáveis e idôneas por parte do MP e pelo juiz, estavam sendo monitorados por ele, através de escutas telefônicas autorizadas por ordem judicial, há mais de 6 meses.

A primeira grande certeza que tivemos, ainda em julho de 2010, foi o e-mail que nos foi remetido pelo próprio delegado Renato Fernandes, que deu inicio as primeiras investigações, chegando à conclusão que os acusados eram inocentes e que não poderiam ser indiciados, segundo ele. .
O raciocínio é muito simples e elementar: se os policiais acusados realmente tivessem procurado insistentemente os dois traficantes, os contatados ou contratados para cometer os crimes contra os dois professores – perceba-se que eles falam sempre no plural, como se a morte de Elisney também tivesse sido encomendada por Edésio - essas gravações seriam a prova definitiva, irrefutável e cabal das relações e encontros dos PMs com Marcelo Caô e João, já que certamente revelariam a troca de ligações entre eles. Mas onde foram parar as tais gravações telefônicas? Simplesmente sumiram. O inquérito desapareceu no caminho entre a delegacia e o Ministério Público, conforme nos informou o delegado Renato em seu e-mail e que foi confirmado recentemente. Teria evaporado? Ou sido enterrado junto com a verdade?
Percebam a gravidade desta revelação e sua amplitude devastadora, caros leitores, pois, segundo o próprio delegado Renato, o inquérito contra os dois depoentes e homicidas simplesmente sumiu, após ter sido entregue por ele ao delegado Evy, não havendo sequer indiciamento ou processo contra Marcelo e João movidos pelo MP, e que foram soltos logo após seus depoimentos ao juiz Roberto, através de possível acordo entre o promotor e o juiz. É geralmente assim que o sistema funciona em casos de delações. O inquérito sumiu, escafedeu-se, evaporou.
ACESSE E VEJA AQUI O VÍDEO COMPLETO DA ENTREVISTA COM DR. RENATO
Ora, ora, a dedução é bastante lógica, se Marcelo e João estavam sendo grampeados pela Polícia por ordem judicial há mais de 6 meses quando foram presos, como sustenta e informa o delegado Renato, se fosse realmente verdade a acusação deles em relação aos PMs, no sentido de que estes ligavam constantemente para eles, tentando lhes contratar e insistindo para que eles matassem Álvaro e Elisney, a mando de Edésio, evidentemente as escutas telefônicas, em poder da polícia e do MP, haveriam de confirmar e revelar. Ou não? Mas cadê, onde foram parar esse inquérito e as gravações?

Apesar das visiveis e gritantes evidências, o Promotor Dioneles ignorou deliberadamente todas as nossas reportagens.
Haveria prova maior do envolvimento dos acusados do que esta? Até mesmo porque, no período em que tiveram seus telefones grampeados pela Polícia, foi justamente o período de 6 meses que antecedeu as mortes dos dois professores. Ou seja, uma verdade mais do que elementar, caro leitor!
Logo, logo os leitores entenderão como e por que Marcelo e seu “correria” João se safaram rapidamente da cadeia, mesmo sendo dois traficantes confessos, presos pela Polícia após 6 meses submetidos a grampos telefônicos, chegando ao ponto de afirmarem ao juiz que comandavam o tráfico, as mortes e as polícias em Porto Seguro – e até mesmo a Vara Criminal - tendo sido Marcelo, ao que tudo indica, o responsável direto pelas mortes de Pequeno e de Rodrigo Terceiro, como se verá mais à frente.
Como a Polícia e o MP, de posse do inquérito que resultou nas prisões de Marcelo e João, juntamente com as gravações, não usou tais escutas para incriminar ainda mais os PMs e todos os demais policiais civis e militares que estariam servindo ao crime organizado, conforme garantiu Marcelo ao juiz?
Significa imaginar que os traficantes, presos em outra operação policial, sabendo que ficariam muitos anos na cadeia, pelos assassinatos de Pequeno e Rodrigo, deram um fantasioso depoimento contra os acusados, exatamente na medida que o MP queria, e foram premiados com o sumiço do inquérito que os levaria à cadeia. Pior, eles passaram da condição de presos e acusados para a condição de testemunhas da acusação como em um passe de mágica.
Um e-mail intrigante
No centro da narrativa policial, o professor Euvadelis Pereira Santos apresentou um e-mail enviado por Álvaro uma semana antes dos crimes, na data de 04/09/2009. Na mensagem, recebida quando Euvadelis ainda estava em Portugal, estudando, Álvara acusava o prefeito Abade de ser seu potencial e possível algoz, e alertava-o de que, se alguma coisa ou mal acontecesse com ele, a responsabilidade seria exclusivamente de Abade, vez que Álvaro estaria resolvido, à frente da APLB, a enfrentar o prefeito em sua luta por melhores condições para as escolas, alunos e professores.
Esse e-mail, no entanto, ao menos para mim, empre me pareceu muito ingênuo e conveniente demais. Sim, porque, da maneira como Álvaro o escreveu, o que foi corroborado posteriormente por diversos e insuspeitos testemunhos - principalmente pelo próprio Euvadelis e diversos outros professores- os quais negaram categoricamente saber que o jovem presidente estava sendo ameaçado, seu temor mais parecia uma mera suposição e possibilidade, na sua imaginação fértil e juvenil, do que ameaças reais propriamente recebidas. Álvaro, uma vez vivendo situação de insegurança, pode ter enviado o tal e-mail a Euvadelis num momento de medo. Aliás, é até normal um jovem sentir-se ameaçado nestas condições e alertar alguém sobre tal possibilidade. Álvaro era corajoso, mas talvez nem tanto, dada a sua juventude e pouca idade.
Veja o e-mail enviado por Álvaro no link abaixo.

O e-mail de Álvaro ao professor Euvadélis, uma semana antes do crime, foi um dos elementos que mais inflamaram a opinião pública.

Apesar do intrigante e-mail, o professor Euvadelis afirmou em seu depoimento que Álvaro nunca lhe fez qualquer revelação no sentido de que estaria recebendo qualquer tipo de ameaça, mesma versão sustentada pela mãe e pelo irmão do presidente da APLB.
Depoimentos fabricados e testemunhas descartadas
Os traficantes e homicidas Marcelo Caô e João d’Ajuda,- este último assassinado posteriormente por traficantes rivais após ser solto - cuja estranha entrada nos relatos policiais será explicada mais à frente, em três depoimentos prestados apresentou três versões diferentes. Primeiro narraram que não sabiam de nada, depois narraram uma estória onde os policiais Sandoval, Rodrigues e Caveirinha os teriam coagido a cometer os crimes, mas, segundo eles, como eles não praticavam crimes de mando, eles não aceitaram matar, sendo orientados pelos PMs a procurar outros criminosos para matar "os dois professores", dando a entender que, caso isso fosse realmente verdade, mais de uma dezena de pessoas pertecentes ao submundo do crime teriam conhecimento de quem seria o mandante.
Uma verdadeira piada, né? Será que dá para acreditar na versão dos dois traficantes? Quer dizer, então, que Edésio ficaria refém dos três policiais e de Pequeno, que ficariam reféns de Marcelo e de João, e que por sua vez ficariam reféns de vários outros criminosos, até que alguns deles aceitassem a empreitada? E isso justamente num crime de mando político?
Já em seu terceiro e último depoimento, os traficantes afirmaram categoricamente ao juiz que os próprios PMs teriam executado os dois professores, o que seria impossível diante dos vários álibis dos acusados e de todas as demais circunstâncias que envolveram as mortes. É o que consta dos três depoimentos.

Em seus três depoimentos Marcelo Caô, sob a proteção do MP, mentiu reiteradamente a olhos vistos.
1ª Depoimento Marcelo Caô 28/01/2010 Prestado ao Delegado Evy.
2ª Depoimento Marcelo Caô 01/02/2010 prestado ao delegado Evy, ao promotor João Alves e ao presidente da OAB de Eunápolis, Dr. Apostolo. Veja AQUI
Veja o primeiro depoimento de João AQUI
AGORA VEJA PARTE DOS DEPOIMENTOS DA DUPLA DE FARSANTES PRESTADOS AO JUIZ
Marcelo Caô
João D'juda
Os vídeos com os depoimentos completos dos dois traficantes, prestados em Juízo e visivelmente recheados de mentiras e de gritantes contradições, serão disponibilizados integralmente mais à frente. Entretanto, a total impossibilidade dos policiais terem de fato praticado os crimes, o que foi deixado bem claro pela mãe de Álvaro – que garantiu à Polícia e ao juiz não terem sido eles os assassinos, diante das significativas diferenças físicas e pelo fato dos PMs não usarem tatuagens - foi respaldada, como eu disse, por álibis bastante sólidos: casualmente, no dia 17, data da tragédia, Sandoval estava de férias em Itabuna, na casa de seus pais, na companhia da esposa Ticiara e de suas duas filhas, inclusive com provas de despesas em seu cartão de crédito efetuadas naquela cidade no dia dos crimes.

Em sua obstinada e incansável luta em busca da verdade, o jornal sempre defendeu a tese de que tudo não passava de uma grande e visível farsa.
Rodrigues, por sua vez, acompanhava Abade em uma reunião pela tarde toda com vários vereadores em Vale Verde, em fato confirmado por diversos deles mais à frente, dirigindo-se o grupo depois para a Igreja Alagoinha e posteriormente para o Hotel Sunshine, onde já chegaram à noite. Ou seja, não tinha como Rodrigues estar presente na Roça do Povo no horário da tragédia, conforme afirmado por Marcelo.
Doutro lado, Caveirinha estava de serviço junto ao 8º BPM e dirigia o carro do coronel Maurício Nunes. Inclusive, foi ele que informou ao comandante acerca da tragédia, após ter recebido a notícia através do rádio da viatura policial que pilotava, isso por volta das 18 horas.
Todos estes fatos foram confirmados fielmente pelo Jornal Topa Tudo, o que desmente categoricamente e de forma irrefutável a versão dos traficantes, no sentido de que eles teriam sido os executores dos professores.
VÍDEO DE DILMO
O atual presidente da Câmara, Dilmo Santiago, revela em sua entrevista que o ex-prefeito Abade já havia fechado um acordo com os vereadores, a fim de atender as reivindicações da APLB, além de confirmar a reunião em Vale Verde, onde Rodrigues estaria acompanhando o prefeito.
Do que se conclui, de forma cabal, que nenhum dos acusados participou dos crimes na condição de executores, como garantiram em juízo as “testemunhas” Marcelo e João, derrubando por terra a versão fantasiosa sustentada pelo Ministério Público. Simplesmente não teria como eles terem participado, vez que uma pessoa não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Isso é fato.
Mas qual dos testemunhos da dupla de farsantes teria sido considerado pelo juiz como "indícios suficientes de autoria" e "verossimilhança das alegações do MP" ? O primeiro, o segundo ou o terceiro? Esta é outra grande incógnita deste caso .
Mesmo assim, acredite, nenhuma das várias testemunhas que poderiam inocentar os acusados foi ouvida pela polícia ou pelo MP. Os álibis em favor dos réus foram todos descartados como se fossem absolutamente irrelevantes. O que importava para Dioneles e João Alves era sustentar a narrativa distorcida para o público e garantir a evidencia midiatica, concedendo entrevistas, com direito até mesmo a recitar versos bíblicos.
Sem antecedentes criminais





De acordo com pesquisas feitas pela própria Polícia Civil, nenhum dos acusados, seja Edésio, Sandoval, Rodrigues, Geraldo Caveirinha e Pequeno, tinham antecedentes criminais ou envolvimento com o mundo do crime.
O que revelaram os depoimentos
Durante a fase policial do primeiro inquérito, foram ouvidas diversas pessoas, na condição de depoentes, mais precisamente um total de 17 - número que posteriormente cresceu após as mortes de Pequeno e Rodrigo Terceiro, cujos óbitos e circunstâncias serão relatadas em capítulo próprio - sobretudo pessoas ligadas diretamente a Álvaro e Elisney, e que pudessem ajudar a Polícia e o MP a desvendar as circunstâncias das mortes.
Necessário registrar que até esse momento, quando ainda se colhiam os primeiros depoimentos, o único suspeito de ser o mandante dos crimes ainda era Abade. Os PMs acusados, supostamente comandados por Edésio, só se tornaram suspeitos posteriormente, ao menos de forma oficial - já que estavam com seus telefones grampeados desde o dia seguinte à tragédia - após a prisão dos traficantes Marcelo e João, presos, como já afirmado, em outra operação policial distinta, conforme nos garantiu o delegado Renato.
Os depoimentos de Itamar
Além de Marcelo e João, um outro traficante, de nome Itamar, que levou 12 tiros na quadra do Campinho, teria sido supostamente mais um dos responsáveis pelas acusações contra a perigosa “quadrilha comandada por Edésio”, segundo o MP.
Todavia, de acordo com declarações espontâneas prestadas pelo próprio Itamar – que inclusive foi levado por sua mãe à minha presença para ser filmado e entrevistado - e publicadas pelo jornal Topa Tudo à época, ele na verdade nunca se referiu em seus depoimentos aos PMs ou a Edésio como envolvidos nos crimes dos professores, tudo não passando, segundo ele, de uma farsa policial engendrada pelo delegado Evy, em possível conluio com o MP e, supostamente, com o juiz.

Em agosto de 2010, o suposto traficante Itamar, que levou 12 tiros no Campinho, procurou o Jornal Topa Tudo, na companhia de sua mãe, para desmentir seus dois supostos depoimentos e que, segundo ele, foram forjados pelo delegado Evy e pelo promotor Dioneles, em que pese o juiz Roberto tenha participado do segundo.
A versão de Itamar, que foi inclusive confirmada e reforçada através de depoimento por ele prestado ao juiz André Marcelo Strogenski, quando este ainda atuava em Santa Cruz Cabrália, foi que, após os 12 tiros recebidos, ele estava hospitalizado em Eunápolis, ainda sob forte sedação, quando Evy teria lhe levado seu primeiro depoimento já pronto, obrigando-o a assinar, o que o fez sem sequer ouvir ou ler, vez que o delegado sustentou que seria para a sua própria segurança.
Veja no link abaixo o primeiro depoimento de Itamar supostamente prestado ao delegado Evy, o qual Itamar nega ter prestado da forma como foi tomado e redigido.
Não bastasse tudo isso, em denúncia por demais gravíssima e que por si só seria mais do que suficiente para anular todos os atos processuais, ainda segundo Itamar, três dias após o seu depoimento ao delegado Evy, o promotor Dioneles, na companhia do juiz Roberto, se dirigiu pessoalmente ao hospital, de posse de um novo depoimento, também já devidamente redigido pelas duas autoridades - acredito que pelo promotor - no qual foram supostamente enxertadas novas e graves acusações contra Edésio e os PMs, que ele garante que não teria afirmado em momento algum, obrigando-o a assinar as novas e comprometedoras acusações, e que interessavam diretamente ao MP para defender sua tese de que os envolvidos estariam de fato relacionados às mortes dos professores e dar ares de veracidade à sua denúncia.
Na base do copia e cola?
Chama a atenção – e muito - o fato de que tanto o primeiro depoimento de Itamar, dado ao delegado Evy, quanto o suposto segundo depoimento, dado por ele ao juiz Roberto e ao promotor Dioneles, em dias e ocasiões diferentes, que ambos possuem o mesmo conteúdo gramatical, até mesmo em pontos, vírgulas e nas expressões usadas. Seria mera coincidência ou o delegado Evy emprestou seu pendrive para eles usarem o mesmo texto e acrescentarem mais acusações, como se elas tivessem sido feitas por Itamar? Ora, para bom entendedor, meia palavra basta.
Veja no link abaixo o segundo depoimento de Itamar supostamente dado ao juiz e ao promotor, o qual ele desmente categoricamente e diz que recebeu pronto e que assinou sem ler. Bem, pelo menos é o que garantiu o declarante em nosso jornal.
Do que se conclui, e não poderia ser diferente, que no mínimo houve uma misteriosa triangulação entre delegado, juiz e promotor, sendo mais do que certo e óbvio presumir que o texto usado por Evy no primeiro depoimento foi o mesmo texto usado pelo MP e pelo juiz no segundo. Significa também dizer que Itamar possivelmente não mentiu quando diz que os depoimentos nunca existiram na realidade e que foi obrigado pelo trio de justiceiros a assinar as duas declarações sem sequer lê-las, mediante o suposto terror psicológico de que foi vítima.
Veja o que revelou o traficante Itamar ao Jornal Topa Tudo, bem como a autorização abaixo por ele dada para que a matéria fosse publicada.

VÍDEO DE ITAMAR
Segundo Itamar, em revelação feita ao Jornal Topa Tudo, seus dois depoimentos foram modificados pelas autoridades judiciais.
De que adianta anular e tornar sem efeito uma prova imprestável e se valer de parte dela para fundamentar uma decisão?
Não por nada, pressionado pelos fatos, sabedor de que sua conduta talvez inadequada poderia trazer-lhe sérios problemas como magistrado junto ao Conselho Nacional de Justiça, já que Itamar teria sido ouvido sem a presença de um advogado, sem outra saída, o próprio juiz Roberto acabou anulando posteriormente a tal prova – ou seja, as declarações de Itamar - tornando-a imprestável e sem efeito, mesmo que de parte dela possivelmente tenha se valido para justificar sua decisão de pronúncia, onde ele reconhece textualmente que realmente não haviam provas contra os acusados, mas que, diante dos tais “indícios suficientes de autoria” provenientes apenas dos testemunhos de Marcelo, João e Itamar, outra não poderia ser a sua decisão, senão mandar os acusados a júri popular. Isso, claro, tendo como base os três depoimentos dos três traficantes, sendo um deles desmentido categoricamente por Itamar. Mais à frente os leitores entenderão melhor o que quero dizer. Vamos por partes.

Segundo o próprio juiz, não havia provas o suficiente de autoria, a não ser o depoimento dos dois traficantes, sendo que as investigações ainda estavam inconclusas.

Em outro trecho da sua equivocada decisão de pronúncia, o magistrado considerou como indícios suficientes de autoria a teratologica versão apresentada pelo MP, baseada tão somente nos contraditórios depoimentos de Marcelo e João.
Por muito menos, apenas por trocarem supostas informações nos processos da Lava Jato e do Mensalão, o ex-juiz Sergio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol foram obrigados a renunciar aos seus cargos.
Brasil, mostra a tua cara
A única e significativa diferença é que no caso das duas autoridades curitibanas, nos tais processos contra Lula e a quadrilha do PT, ao contrário do caso dos professores, existiam dezenas de provas, tanto testemunhais como documentais, além da confissão de vários acusados, acordos de delação premiada e de leniência firmados por várias empresas, ao meu ver inquestionáveis, vez que confirmadas por várias instâncias. Mesmo assim, ambos foram crucificados pela mídia e tachados de parciais, ou até mesmo de corruptos, que teriam agido em conluio contra os réus, sendo todos os processos anulados por decisão do STF.
Brasil, sil, sil.... “mostra a tua cara, quero ver quem paga, pra gente ficar assim, Brasil, qual o teu negócio, o nome do teu sócio, confia em mim....diz o nome do teu sócio...”, como diria o baixista e compositor cultural carioca Nilo Romero, na voz do nosso saudoso Cazuza.
Em relação a este primeiro inquérito, publicaremos e nos debruçaremos apenas sobre os principais depoimentos, haja vista que a grande maioria deles em nada acrescentou às investigações.
Porém, se alguém tiver qualquer sombra de dúvida ou quiser se contrapor ao nosso relato – para quem sabe ganhar um carro 0 KM - todos eles estão acessíveis clicando AQUI os nos links indicados abaixo.
1ª Declaração Eric Marcio
2ª Declaração Eric Marcio
1ª Declaração Maria Aparecida
2ª Declaração Maria Aparecida
Declaração Gil Vieira
Declaração Sr.Cleriston
Declaração Antonio Andrade
Declaração Everaldo
Declaração Ione Maria Santos
Declaração Caetano Cupulo
Declaração de Josadaque
Que fique bastante claro o direito ao leitor de apontar – e é exatamente assim que queremos e desafiamos – qualquer inversão ou distorção dos fatos da nossa parte. Em nosso Blog existe espaço para que qualquer um se manifeste. Desde que, é claro, o faça de forma respeitosa e fundamentada, identificando-se, para que possamos responder e replicar publicamente a sua acusação, combinado?
Nesse sentido, como estávamos dizendo, os principais depoimentos à Polícia foram os da mãe e do irm]ao de Álvaro, dona Cida e Eric, espectivamente, únicos presentes à cena dos crimes, os primeiros deles prestados no próprio dia 17, poucas horas após os assassinatos, e outros concedidos precisamente no dia 22, perante a mesma autoridade policial, além dos demais depoimentos prestados em juízo e que serão discutidos e disponibilizados em capítulo próprio.
Veja os quatro depoimentos prestados pela mãe e pelo irmão de Álvaro:
Dois meses à frente da APLB
Importante registrar também, para quem ainda acredita que Álvaro realmente teria feito descobertas altamente comprometedoras acerca de irregularidades e de grandes desvios de verbas destinadas à Educação, que quando ele e Elisney foram assassinados, fazia, repita-se, apenas 2 meses e 6 dias que Álvaro havia tomado posse no cargo, já que foi eleito e assumiu a direção da APLB em julho de 2009. Isso mesmo, Álvaro tomou posse no dia 11/07/2009 e foi assassinado em 17/09/2009. Significa dizer que soa muito estranho que ele, em tão curto período de tempo, fosse capaz de detectar tamanhos desvios.
Nenhuma prova concreta dessas tais “descobertas” jamais apareceu. Esta é outra verdade.
A pergunta que fica, até hoje não respondida pela Polícia e pelo MP: Qual seria, afinal, a dimensão das descobertas feitas por Álvaro?
Também significa dizer que os testemunhos dos traficantes Marcelo e João não se sustentam a olhos vistos, na medida em que alegaram ao juiz, depois de já terem dado outros dois depoimentos anteriormente à Polícia, ao MP e à OAB, todos absolutamente contraditórios nas suas três distintas versões, que estavam sendo procurados pelos PMs Sandoval e Rodrigues há mais de 30 dias, antes das mortes dos professores, para que estes matassem “os professores” – sempre no plural - como se verá, de forma irrefutável, pouco mais à frente.

Ora, como crer que com apenas poucos dias à frente da APLB, - no caso, menos de 30 dias, segundo Marcelo e João - sem nenhuma denúncia de grande relevância ou impacto, teria sido determinado por Edésio que ambos os educadores deveriam ser mortos? A troco de quê, qual o perigo que Álvaro de fato representava até então?
Pente fino na Educação
Além do mais, como se verá mais à frente no depoimento em vídeo do ex-secretário de Educação, Caetano Cupolo, antes das mortes dos dois professores, o promotor Dioneles, juntamente com uma assessora, já havia estado na Secretaria e vasculhado todas as contas da pasta, nada tendo encontrado de irregular, o que reforça ainda mais a tese de que ele tinha plena consciência de que as acusações de Álvaro não tinham sustentação, mesmo ele tendo usado elas como fundamento para denunciar e pedir a prisão dos acusados.
Fora isso, essa importante e recente revelação reforça ainda mais a suspeita sobre a sua estranha disposição em supostamente fragilizar o prefeito Abade, o que nunca o fez na administração do prefeito Jânio Natal, conforme se extrai do episódio do terminal da estação rodoviária. Dizem que amigos são para estas coisas. Há quem garanta ou ao menos desconfie que muito do que aqui está sendo relatado foi feito justamente manipulado, ao menos em tese, no sentido de favorecer Jânio e de liquidar com Abade e que, se perdesse o cargo, seria obviamente substituído por Miguel Ballejo, ou seja, o que mais interessava ao ex-prefeito na época.
Claro que não se pode afirmar que Jânio tenha estimulado toda a farsa, mas na política muitos não precisam nem pedir. Os lacaios estão sempre por aí querendo demonstrar fidelidade e serviço. Para depois apresentarem a fatura pelos seus préstimos, é óbvio.
Com professores nas ruas em protestos e a mídia amplificando rumores, a polícia e o MP estavam literalmente encurralados. Alguém precisava pagar pelo crime. Foi assim que a teia começou a ser tecida contra Edésio e os policiais. Eles não eram culpados por provas, mas por conveniência, tendo como base o tradicional ouvi dizer ou me contaram das ruas e na voz dos dois traficantes.
Por outro lado, as investigações internas da Polícia Militar absolveram os acusados. Segundo a PM, nenhuma prova concreta ou sequer indícios de autoria os ligava ao crime. Mas isso não foi suficiente para interromper o show de Dioneles. A opinião pública já havia decidido, e o judiciário não estava disposto a enfrentá-la.
Denúncias corriqueiras e não constatadas
De mais a mais, as tais denúncias supostamente feitas por Álvaro, posteriormente e oficialmente não confirmadas por um grupo de promotores especializados de Salvador, designados pela Procuradoria Geral de Justiça do Estado da Bahia para vasculharem as contas da Educação do prefeito Abade, após detalhada e minuciosa investigação realizada, eram denúncias meio que corriqueiras, em especial as tradicionais reivindicações de salários, a correta aplicação dos índices do FUNDEB, reformas das escolas, assessores nomeados na Educação em detrimento de aprovados no último concurso público, eleição direta para diretores das escolas e fim dos aluguéis, cujas irregularidades vinham sendo denunciadas e cobradas pela classe desde os tempos do ex-prefeito Ubaldino. Até aí nenhuma novidade. Ou seja, nada mais do que o, digamos assim, normal. Nada de novo ou de tão relevante.
No mesmo dia em que foi assassinado, Álvaro enviou ofício endereçado ao prefeito Abade em tom cordial e respeitoso sobre as reivindicações da classe.
Bem ao contrário do que sustentou o MP levianamente em sua denúncia, repito, tais denúncias não foram corroboradas em momento algum. Nem por Álvaro, nem por Dioneles e muito menos pelo grupo de promotores destacados pela PGJ para apurar sua veracidade.
Nesse caso, caberia à acusação fazer prova, tanto no inquérito quanto no processo que envolve os acusados, no sentido de que as denúncias formuladas pelo então presidente de fato eram verídicas e consistentes, o que não o fez em momento algum da instrução processual. Apenas disse me disse ou achismo não deve – ou não deveria - valer num processo desta gravidade, aliás, em nenhum processo criminal, por menor ou mais insignificante que seja . Mas no caso dos professores infelizmente acabaram prevalecendo.
Testemunhas de acusação do MP não testemunharam absolutamente nada
Reforçando a tese de que não existem depoimentos ou fatos relativamente idôneos acerca de suas acusações, o MP apresentou como rol de testemunhas de acusação, diversos professores e conhecidos de Álvaro e Elisney, e que em momento algum fizeram qualquer tipo de acusação capaz sequer de presumir a participação dos principais acusados em ambas as mortes. Veja abaixo o rol destas testemunhas.

Mais algumas perguntas sem respostas
As perguntas que ficam deste primeiro inquérito é: quais seriam, então, as graves denúncias que Álvaro estaria fazendo para que em menos de 30 dias fosse decretada a sua morte – isso por que os traficantes alegaram em juízo que estavam sendo assediados pelos PMs há 30 ou 40 dias, ou seja, nesse caso, com menos de 30 dias de Álvaro como presidente, já teria sido determinada a execução “dos dois professores” - a fim de possivelmente não causar o impeachment do prefeito Abade e não desmontar o suposto esquema criminoso de desvios de recursos públicos que Edésio, junto com os PMs, estaria cometendo na administração pública, como sustentaram de forma desarrazoada os promotores João Alves e Dioneles Santana, juntamente com o delegado Evy na denúncia?
Quais seriam os crimes cometidos pela terrível quadrilha comandada por Edésio? Aonde, de que forma e quais os valores desviados? Quem testemunhou ou informou algo nesse sentido para a Polícia? Ou colocaram isso no inquérito e na acusação na base apenas do chute ou do ouvi dizer? Teria o grupo de promotores de Salvador feito vista grossa a fim de proteger o prefeito e Edésio? Quais os assaltos praticados por Pequeno ou a sua relação com o tráfico de drogas? Onde consta ao longo do inquérito ou no processo provas cabais de que as alegações seriam verdadeiras ou dignas de crédito, em qual página, documento ou depoimento se encontram embasadas? Me ajude, caro leitor. Ou me socorre aí, como diria o intrépido Gabiru. Ou será que não vai aparecer nenhum leitor querendo ganhar um carro 0 km?
Em troca da liberdade, um preso fala qualquer coisa
Ou será que apenas os depoimentos de dois confessos traficantes e homicidas, absolutamente contraditórios e mudados por nada menos do que três vezes, e que foram, a princípio, os responsáveis pelas mortes de Pequeno e Rodrigo Terceiro, seriam suficientes para embasar e atribuir a Edésio e aos PMs a autoria do mando ou da execução dos atentados?
Reiterando o desafio
Faço novamente aqui um rápido desafio a quem quer que seja, em especial aos jovens estudantes de Direito e aos seus diretórios acadêmicos, bem como a qualquer advogado criminalista, para que, acessando o processo criminal – acesse ele na íntegra – apontem quais eram afinal as denúncias feitas por Álvaro capazes de despertar o insano e injustificável desejo para que fosse assassinado?
Ainda mais com ordem expressa de Edésio para que Álvaro fosse assassinado juntamente com Elisney, que não tinha maior envolvimento com a luta sindical e casualmente acompanhou Álvaro à Roça do Povo – coitado, eis que apenas estava no lugar errado e na hora errada para tentar socorrer o amigo - vez que as únicas duas testemunhas do MP, no caso Marcelo e João, alegaram em juízo, onde garantiram que somente na frente do juiz poderiam falar a “verdade”, que foram contratos para matar os dois educadores. Sempre no plural.
Observem que em seus depoimentos, que poderão ser acessados integralmente mais à frente, juntamente com os vídeos dos seus depoimentos prestados em juízo, eles não falam em matar apenas Álvaro, sustentando sempre que foram procurados para matar “os dois professores”. Poderia haver maior mentira do que essa? Será que só a Polícia, o MP e o juiz não se atentaram para este pequeno detalhe?
Sim, infelizmente poderia, aliás, várias mentiras, como mostraremos a seguir. Para a Polícia e o MP, quando querem sustentar um absurdo, muitas vezes não existem limites. Os vários casos no Brasil e no mundo, de injustiças e gritantes falhas em processo criminais, que o digam.
O que disseram os demais depoentes
Como dito, afora os relatos da mãe e do irmão de álvaro, além do testemunho de Euvadelis, os demais depoentes, em sua maioria professores , não acrescentaram absolutamente nada às investigações, limitando-se ao máximo em discorrer sobre conversas, na base do ouvi dizer ou do me disseram, segundo as quais o crime de mando poderia estar relacionado à atividade sindical de Álvaro frente à APLB. Nada mais do que isso. Muito simples.
Entre as muitas narrativas apresentadas, alguns depoentes chegaram a sugerir as participações dos ex-prefeitos Ubaldino Júnior e Jânio Natal, como forma de supostamente tentar incriminar o prefeito Gilberto Abade, como consta dos depoimentos do então secretário de Educação, Caetano Cupolo ( veja depoimento completo acessando no link abaixo) sendo que alguns até mesmo chegaram a levantar a possibilidade de que o ex-presidente da APLB, no caso o professor Kéu Portela, também poderia estar envolvido. As suspeitas sobre Kéu recaíam por que, segundo Álvaro, este teria feito diversos saques irregulares na conta da APLB antes de deixar a presidência, tendo deixado o caixa da entidade zerado.

Primeiro Abade, depois Edésio e os PMs
Para a grande maioria dos professores e da população em geral, diante do significativo e decisivo papel desempenhado pela mídia, o mandante era Abade, sem qualquer sombra de dúvida, e a esta altura dos acontecimentos tanto a Polícia como o MP eram pressionados diariamente no sentido de identificar e prender rapidamente os autores.
Necessário registrar que ao menos até aquele momento, ou seja, cerca de no máximo 30 dias depois dos crimes, o único que aparecia como suposto mandante do crime, para a grande parte da opinião pública, repita-se, era o ex-prefeito Abade. O nome de Edésio e dos PMs Sandoval, Rodrigues e que realizavam a segurança do prefeito, bem como de Caveirinha, que fazia eventualmente a segurança de Edésio, até então não apareciam como suspeitos nas investigações iniciais. Muito menos o nome de Pequeno fazia parte do tal disse me disse. Tanto que não há nenhum relato de professores e de pessoas ligadas a Alvaro e Elisney que apontassem qualquer possibilidade neste sentido, conforme pode-se observar dos diversos depoimentos colhidos.
As fofocas e o disse me disse contra o prefeito Abade eram tantos que o jornal chegou a receber à época um suposto e fantasioso “relatório” sobre a sua arrogância e crimes que ele teria praticado. Registre-se que tal “relatório” – veja a denúncia completa no link abaixo– nos foi entregue por partidários do ex-prefeito Jânio Natal, os quais, junto com Ubaldino, faziam questão de espalhar boatos que viessem a atingir o ex-prefeito. Jogo sujo. Pelo poder e pelo dinheiro, alguns são capazes de fazer tudo. Ou quase tudo. Que pena.

O Jornal Topa Tudo recebeu "denúncias" encaminhadas por partidários do então ex-prefeito Jânio Natal fazendo sérias acusações ao prefeito Abade, denúncias estas que foram por nós encaminhadas ao MP, ao juiz Roberto e ao então Delegado da Polícia Federal, Fernando Perez, as quais se revelaram totalmente infundadas.
O máximo que se ouvia naqueles dias era que tinha sido Abade o mandante. Um pouco mais à frente, sempre amplificado pelos eternos “ouvi dizer” ou “me contaram”, superdimensionados e reverberados diariamente pela rádio palanque, foi se criando e se firmando no imaginário popular a tese de que Edésio, homem forte do governo, e que estava em meio às negociações com a APLB e com Álvaro, poderia estar envolvido no atentado, nascendo daí a versão de que os PMs também poderiam estar envolvidos, por serem conhecidos e reconhecidos pela coragem e destemor com que enfrentavam, prendiam e até mesmo matavam perigosos delinquentes no exercício da profissão – quando muitos outros policiais tinham medo dos criminosos.

De uma hora para outra, sem qualquer relação com os fatos, apenas na base do disse me disse, o nome do ex-secretário Edésio passou a ser apontado como suposto mandante dos crimes. Isso foi fato.
O fim do Nego Neco
Em que pese as suspeitas de suposto tráfico de drogas e envolvimento com o submundo do crime, que segundo o relatório da PM não passavam de boatos nunca comprovados pela instituição, um dos maiores exemplos da grande fama, coragem e determinação dos PMs em combater, prender e se preciso fosse até mesmo matar deliquentes perigosos em defesa da sociedade, foi a morte de um tal de Nego Neco, que naquela época havia invadido uma casa e tornado refém um senhor de idade, chegando ao ponto de impiedosamente queimar a sua face com um ferro elétrico, cuja crueldade obviamente causou grande revolta à população, gerando temor e insegurança a todos.
A verdade é que praticamente quase todos os policiais civis e militares da cidade tinham medo de enfrentar este latrocida, tido como elemento mau, altamente violento e perigoso. Mas não deu outra: após 3 dias de campana, Sandoval e Rodrigues, depois de intenso tiroteio mata a dentro com Nego Neco, assim como fizeram contra vários outros delinquentes, acabaram pondo fim à vida de um dos maiores e mais cruéis homicidas e assaltantes que Porto Seguro já conhecera.
Naturalmente, em função da sua própria atividade policial, Sandoval e Rodrigues eram temidos e ao mesmo tempo odiados pelos criminosos. Caveirinha era café pequeno perto dos dois PMs em termos de coragem e valentia.
Acusações totalmente sem provas
Se as acusações de alguns marginais contra os três PMs – no caso por parte de Marcelo, João e Itamar - ou ao menos parte delas, já que Itamar desmentiu categoricamente seus dois depoimentos, no sentido de que os referidos policiais lhes extorquiam ou que lhes passavam drogas apreendidas para serem traficadas, ou que tenham até mesmo matado covardemente outras pessoas, eram verdadeiras ou não, realmente não tenho como provar ou assegurar ao leitor. Nem ouso.
Na verdade, eu não era amigo e sequer conhecia ou tinha ouvido falar sobre os PMs até então, ou no máximo – realmente não me lembro tantos anos depois – tinha noticiado alguma ação policial de ambos no jornal. Só o que posso dizer, mais uma vez, é que caberia à Polícia e ao MP provarem estas supostas acusações. No processo criminal, o ônus da prova cabe sempre a quem acusa. Mas nada contra os acusados foi provado.

A grande e constante pressão dos professores, através de diversas passeatas, foi determinante para que as investigações fossem literalmente atropeladas pela Polícia e pelo MP.
A insuspeita investigação feita pela PM
Muito pelo contrário, conforme revelam os autos do Processo Administrativo Disciplinar instaurado por ordem do comandante geral da PM na Bahia e presidido pelos oficiais Capitão Antonio Helber de Oliveira Fonseca Viana, bem como pelo Capitão Márcio Luis Ribeiro de Oliveira , após minuciosa investigação da vida pregressa dos acusados, tais PMs foram considerados policiais exemplares pela corporação, ou seja, sem antecedentes criminais e sem nenhum registro em suas fichas funcionais relacionados aos crimes atribuídos por Marcelo e João. Muito menos foi constatada a participação deles em nenhum outro tipo de crime.
De acordo com a detalhada investigação determinada pelo Coronel Nilton Régis Mascarenhas – veja abaixo a determinação do comandante geral da PMPortaria determinando a apuração rigorosa sobre o caso - os relatos feitos pelos dois homicidas e traficantes confessos, Marcelo, João, além de Itamar, não condiziam – e nem poderiam condizer – com a realidade, tal a fantasia e distorções neles trazida.

Só quem não viu ou não quis ver que eles mentiram descaradamente e reiteradas vezes em suas acusações foi o próprio MP e o delegado Evy, que preferiram dar crédito a dois marginais, a investigar os fatos com a responsabilidade e a isenção que eles deveriam ter sido investigados, apenas com o objetivo de acalmar a opinião pública e posarem de heróis e eficientes para os incautos e desavisados.
Ou será que a própria e insuspeita PM baiana, uma gloriosa instituição centenária e respeitada por toda a sociedade, iria se sujeitar a avalizar uma farsa, absolvendo seus policiais apenas por corporativismo, ainda mais sob a intensa vigilância do Governador, do Comandante Geral da PM, da Assembleia Legislativa, da Câmara dos Deputados, e vigiada atentamente pela mídia, iria inocentar os acusados? A troco de que? De três pobres e insignificantes PMs sem eira e nem beira, e de um simples ex-motorista e um ex-secretário municipal nascido lá no interior do sertão baiano?
Pergunto: tem alguma lógica, seria razoável essa possibilidade?

A Polícia Militar da Bahia, através do seu 8º BPM, pelo menos até prova em contrário, sempre foi considerada uma instituição séria e a serviço da sociedade.
Veja e confira a Ata do Julgamento e o resultado das investigações feitas pelo Corpo de Bombeiros do Estado da Bahia., e que determinou o arquivamento do PAD contra Sandoval, Rodrigues e Geraldo Caveirinha, absolvendo-os de todos os crimes que lhes foram atribuídos pelos traficantes, pelo delegado e pelos dois promotores.

Eu disse a absolvição não de um, mas DE TODOS os crimes a eles imputados, sobretudo em relação à hilária e teratológica acusação do MP, no sentido de que Edésio teria contratado os policiais para formarem uma quadrilha a fim de comandar o tráfico de drogas na cidade e desviarem recursos públicos da prefeitura, além de supostamente obrigarem traficantes a revender drogas por eles apreendidas em operações policiais.
Muito menos foi confirmada a tese – na verdade um legítimo delírio de grandeza – de Marcelo Caolho, um especialista na arte de mentir, de que ele comandava as polícias Civil e Militar, pagando inclusive o delegado Renato – além até mesmo de serventuários da Justiça Criminal - para que fossem retiradas todas as viaturas das ruas, quando ele quisesse praticar seus crimes de tráfico e até mesmo de homicídios. Haja delírio! Se nem o poderoso Buiú, chefão geral do tráfico na cidade, detinha esse poder, como um traficantezinho furreco, de ponta de esquina, que não mandava nem na mulher e na rua dele, iria comandar as polícias de Porto Seguro?
Veja no vídeo abaixo o que diz o ex-advogado de Marcelo Caolho, o advogado Jarbas de Abreu, sobre a credibilidade do seu ex-cliente, a quem conhece há muitos anos.
VÍDEO JARBAS ABREU
Além do PAD que inocentou os três PMs, desmentindo categoricamente todas as acusações e classificando os traficantes como elementos altamente mentirosos e sem a mínima credibilidade, e que possivelmente se debruçou sobre os álibis dos acusados para determinar o arquivamento do processo administrativo, há que se lembrar que os nomes dos PMs teriam sido sugeridos como seguranças do prefeito Abade por parte do próprio comandante do 8º BPM, no caso o coronel Maurício Nunes, o Foguinho, hoje aposentado.
Ademais, para quem não sabe, a PM conta com a sua P2, que é o serviço de inteligência secreta da instituição, o qual acompanha atentamente o trabalho de toda a corporação e a conduta dos policiais militares. Ou seja, a PM sabe tudo – ou quase tudo – o que se passa em suas fileiras. A verdade é que policial bandido, ainda mais envolvido em mortes, crimes de mando ou tráfico de drogas, tem vida curta na instituição.
Aí, pergunta-se novamente: diante do relatório da sindicância interna que absolveu todos os PMs, sob a alegação de que as acusações eram formuladas por dois marginais mentirosos e sem a mínima credibilidade, a quem o juiz, os promotores e a Polícia Civil, que nada mais haviam encontrado contra Edésio, Pequeno e os PMs, deveriam ter dado crédito?
Ainda mais considerando que no dia e na hora das mortes, conforme acima revelado, Geraldo Caveirinha estava de serviço, trabalhando inclusive como motorista do coronel Maurício, sendo que Rodrigues estava participando de uma reunião na companhia de Abade, em Vale Verde, junto com diversos outros vereadores e Sandoval estava de férias na cidade de Itabuna.
O pior de tudo, e que reforça ainda mais a tese de que se trata de uma farsa deliberada e sem precedentes na história do judiciário baiano, é que nenhuma das diversas testemunhas, tanto o coronel Maurício, como Abade e os demais vereadores, não foram sequer ouvidos pela Polícia, pelo MP e pelo juiz. Muito menos, pasmem, os próprios acusados foram ouvidos pela Polícia Civil ou pelo Ministério Público antes que fosse oferecida a denúncia, o que seria o básico do básico num processo criminal desta natureza e gravidade.
Caberia ao representante do MP local, se realmente tivesse buscado a verdade real e não carregasse consigo o possível interesse pessoal em posar para a mídia como herói e solucionador do caso, no mínimo ouvir tais testemunhas e checar se os álibis eram ou não verdadeiros. É o mínimo que poderia se esperar se as investigações fossem realmente sérias.
Muito pelo contrário, em atitude bastante estranha e nunca antes vista até então num processo criminal – ao menos que eu tenha conhecimento – o que se viu foi um esforço sobrenatural e deliberado do delegado Evy e do MP para que tais testemunhas, que derrubariam facilmente as declarações de Marcelo e João, bem como a fantasiosa e deturpada acusação feita pelo MP , para que estas testemunhas não fossem ouvidas pela justiça. E realmente não foram, nem pela Polícia, nem pelo MP e muito menos pelo juiz.
A pressão popular e o erro judicial anunciado
Com professores nas ruas em protestos e a mídia amplificando rumores, a polícia e o MP estavam literalmente encurralados. Alguém precisava pagar pelos crimes. Foi assim que a teia foi tecida contra Edésio e os policiais. Eles não eram culpados por provas, mas por conveniência.
As investigações internas da Polícia Militar absolveram os acusados. Nenhuma prova concreta os ligava aos crimes. Mas isso não foi suficiente para interromper o verdadeiro show de Dioneles. Ainda mais que a opinião pública já havia decidido, e o judiciário, é claro, não estava disposto a enfrentá-la.
A farsa se desfaz, mas a injustiça permanece
A cada depoimento contraditório, a cada álibi ignorado, fica evidente que a pronúncia a júri popular dos acusados foi resultado de um processo manipulado. Não foi apenas um erro, mas uma farsa arquitetada para acalmar o clamor popular. E infelizmente o Dr. Roberto por ela se deixou levar. Acontece na vida de um juiz.

O juiz foi alertado várias vezes pelo jornal Topa Tudo sobre as diversas contradições e mentiras defendidas pelo Ministério Público em sua infundada denúncia.
Porém, as vidas destruídas pelo peso dessa injustiça gritam por redenção. Enquanto isso, os verdadeiros culpados - no caso Marcelo e a turma de Cristiano do Gesso e Junior Barrinha - observam de longe, protegidos pelo sistema que deveria combater a impunidade.
O próximo capítulo trará não só respostas, mas revelações perturbadoras. Este capítulo é apenas a ponta do iceberg: uma sociedade que ignora a verdade, escolhe a omissão e coloca em risco todos os que confiam na justiça.